Arquitectura

Arquitectura e Reabilitação | Projecto do Mercado do Bolhão

6 Mai , 2015  

Quer saber como vai ser o novo Mercado do Bolhão? Quem diz novo, diz recuperado, porque o objectivo será reabilitar e dinamizar o espaço actual que já se encontra numa fase decadente. Veja o vídeo conheça o projecto.

 

 

Gostou do que viu? O Mercado do Bulhão vai mesmo ser reabilitado, e a verdade é que tamanho ícone da cidade do Porto, já merecia esse cuidado. Há anos que ouvimos falar nessa necessidade e ao visitarmos o espaço facilmente nos apercebíamos dessa realidade. Nesse sentido as obras irão avançar mesmo sem os apoios comunitários previstos para a obra.

“O Mercado do Bolhão de hoje não irá estranhar o novo Mercado do Bolhão, projectado pelos técnicos da Câmara do Porto e por uma equipa externa, coordenada pelo arquitecto Nuno Valentim. O edifício reabilitado terá mercado de frescos no piso térreo, restaurantes e uma área com estruturas polivalentes no piso superior. Vai ter acesso directo à estação de metro, elevadores e uma cave técnica com acesso pela Rua de Alexandre Braga. Mas vai manter os vendedores que lá queiram ficar. E haverá até uma nova versão das cortinas que ajudam a afastar o sol dos produtos para venda, no piso superior.

 

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A maquete instalada no piso superior do mercado, as imagens divulgadas e os esclarecimentos prestados ajudam a criar a imagem do que será o futuro mercado. Sem cobertura superior nem estacionamento, o Bolhão vai ter, contudo, uma cobertura do piso térreo, onde ficará instalado o mercado de frescos, os talhos e as peixarias. Será uma cobertura em vidro, com características térmicas, que permitirá controlar a temperatura e a ventilação para quem ali se dirige. Apesar da alteração de materiais (as bancas de betão vão passar a ser em vidro e metal), as novas bancas de venda serão “uma reinterpretação” das que hoje existem, esclareceu o arquitecto Nuno Valentim, e essa não será a única memória visual a ser preservada. “Seremos absolutamente cuidados com um edifício que é singular”, disse o arquitecto, realçando que o projecto apresentado esta quarta-feira assentou em três vertentes: “edifício, mercado e pessoas”.

 

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As lojas do exterior não terão reclames luminosos, mas toldos, à semelhança do que acontecia nos primeiros anos do edifício. As cortinas que as vendedoras de fruta e legumes correm, no piso superior, para proteger os seus produtos do sol, vão continuar também por ali, apesar de estar previsto que venham a proteger as pessoas que se instalem nas esplanadas dos restaurantes que devem nascer na ala Sul deste piso. Na ala Norte, de acordo com Nuno Valentim, ficarão “estruturas polivalentes que tanto podem receber mercados sazonais como actividades e outra natureza”.

 

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Rui Moreira garantiu aos jornalistas que os cerca de 90 comerciantes que ainda estão no interior do Bolhão poderão regressar ao novo mercado, com “condições especiais” e necessariamente diferentes das dos que chegarem de novo. O autarca confirmou também que a câmara tem condições económicas para avançar com a obra, mas que irá candidatá-la a fundos comunitários, e acrescentou que o mercado poderá “vir a ter um ou mais mecenas”. Moreira garantiu que, por enquanto, não há contactos com qualquer potencial investidor, mas questionado sobre se aceitaria o apoio de um empresário que quisesse instalar ali um supermercado, respondeu que um equipamento desse género “não cabe” ali.

 

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O autarca acrescentou ainda que o projecto de reabilitação da Direcção Regional de Cultura do Norte, feito a pedido do anterior executivo, não foi aproveitado, apesar de ser “excelente”, porque “não se enquadrava no programa” que previu para ali. Em comunicado, a CDU veio, entretanto, saudar a opção de manter o Bolhão como um mercado público e de frescos, anunciando, contudo, que vai pedir a criação de uma comissão de acompanhamento do processo, no âmbito da Assembleia Municipal, por considerar que existem “elementos relevantes que persistem ainda por determinar”, como as condições exactas em que os comerciantes poderão regressar ao edifício requalificado.”

 

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Opiniões e politiquices à parte, era urgente tratar deste pedaço do património do Porto, pessoalmente parece-me que o resultado final será de valor, uma vez que serão preservadas as características originais com uma subtil intervenção de modernidade, onde irá haver espaço para novas valências que se enquadram na tipologia do equipamento, uma fórmula que ajudará também a conservar e potenciar este espaço, que faz parte da história do Porto e do país.

Cátia Marcelino

 

Fonte: Público

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