Foto de arquivo datada de 20 de abril 2010 do ator português Nicolau Breyner durante o ensaio do espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira, em Lisboa. O ator e realizador Nicolau Breyner, 75 anos, morreu hoje em casa, em Lisboa . ANDRE KOSTERS/LUSA

Cultura, Vida

Até sempre Nicolau Breyner

15 Mar , 2016  

Não podia deixar de me despedir deste nome maior da cultura portuguesa. “Nicolau Breyner morreu”. Fiquei assim meia parva a olhar para o título da notícia, que pouco mais adiantava. Este ano de 2016, tem-nos levado muitos artistas, que partem cedo demais, ainda nem me recompus de Bowie, e já outros lhe têm feito companhia. Nicolau Breyner é um desses casos, que ainda tanto nos tinha para dar. Com 75 anos, parte cedo demais.

Sempre o achei homem de grande talento, versátil como ele só. Alentejano, com orgulho. E com um percurso invejável, mal terminou o conservatório e foi directo para o Teatro. Apesar de ser muito forte na comédia, e sempre gostei dele por isso, Nicolau conseguia ser dos melhores vilões da representação portuguesa. Tive dois grandes ódios por ele. Um, foi no “Crime do Padre Amaro” – onde tive a sorte de participar como figurante – ele representava o que mais abomino no clero, um padre corrupto e imoral que era amante da mãe de Amélia (Soraia Chaves) e como fazia bem o seu papel. O outro era como Coronel Maltês, em “Equador” na adaptação ao pequeno ecrã da obra de Miguel Sousa Tavares. Era um daqueles Coroneis do cacau que sem dó nem piedade tratava os serviçais abaixo de cão. Que cheliques que eu tinha, quando o personagem dele entrava em cena, ficava mesmo possessa com tamanha maldade, era mesmo vil, o raio do coronel!

E é disto que é feito um bom actor, mexe conosco, é tão bom que chegamos a odiá-lo como se fosse real. Além de actor, todo o seu restante percurso como realizador foi admirável, sempre com sede de mais.

Resta-nos contemplar o legado que nos deixa e relembrar a sua memória, como um dos melhores actores portugueses…
Para ti um último aplauso.
Até sempre Nicolau Breyner!

Cátia Marcelino

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