Em Cartaz

Exposição Contentores | 3 artistas expõem a sua obra em 3 contentores, no Museu da Electricidade

10 Abr , 2015  

Três contentores com três intervenções no Museu da Electricidade. Três artistas convidados a integrar esta iniciativa e a usar um contentor, livremente, como local de apresentação das suas obras. António Bolota, João Seguro e Susana Gaudêncio.

 

contentores

 

O PROJETO

O projeto CONTENTORES pretende assumir um papel dinamizador do contexto artístico usando um formato pouco convencional na arte pública contemporânea convidando artistas reconhecidos no panorama artístico português e internacional sob uma vertente Site Specific. Esta solução conceptual é determinada pelo suporte utilizado para a receção de obras (o contentor) sem perda da sua identidade mas reorientando-a ou redefinindo-a. Pretende-se com esta opção o reaproveitamento de um objeto já existente, cuja utilidade original está muito distante do propósito artístico, processando-o como um elemento tão importante para a obra final como os próprios objetos artísticos a ele associados.
A multidisciplinaridade torna-se numa prática cada vez mais comum na arte pública contemporânea, observando-se uma simbiose e apropriação da linguagem de disciplinas como a ciência, a arquitetura, o design de equipamento, a publicidade, a sociologia ou a ecologia, entre outras. A nível temático esta solução propicia o abandono dos temas clássicos da arte pública, como os de conteúdo comemorativo, e facilita uma nova incursão pelas poéticas pessoais e temas do quotidiano, abrangendo em alguns casos situações sociais e políticas (new genre public art).
O projeto CONTENTORES, a que se associam ainda a LISCONT e a Manvia, repete, nesta edição, a sua parceria com a Fundação EDP. O projeto conta já 5 anos de existência tendo conseguido cimentar a sua legitimidade artística e estética redefinindo o conceito e prática da Arte Pública durante este período através da qualidade dos nomes e obras nacionais e internacionais que apresentou.

Sandro Resende
(P 28)

 

contentor enterrado

 

RESISTIR E REINVENTAR

Ao acolher o projeto CONTENTORES a FUNDAÇÃO EDP associa-se a um dos objetivos principais do curador Sandro Resende e da associação P 28, ou seja, relacionar o suporte inesperado do contentor como lugar de apresentação de obras de arte com espaços tradicionais de promoção artística e cultural, o Museu.
O contentor, dedicado ao transporte internacional de grandes volumes de mercadorias, é aqui desviado da sua função e utilidade numa operação de descontextualização a que a Arte Moderna nos habituou – passa a conter, agora, objetos artísticos, Foi também com o Modernismo que passamos a ter plena consciência do valor da Arte como Mercadoria e a poder fazer a sua crítica procurando, entre outras coisas, alargar os seus públicos e democratizar o acesso à cultura.
No período heroico da arte soviética ou nas politicas culturais da República espanhola, vagões de caminho-de-ferro ou camionetas de caixa fechada, eram usados como mostruários de cultura literária, teatral, musical e visual. À tendência elitista da criação cultural opõe-se a sua apropriação por mecanismos de massificação – uma dicotomia que se tem agudizado nos tempos mais recentes. Hoje em dia, regressar a um suporte de materialidade tão expressiva como a de um contentor, volumes de cor que enchem o campo de visão das nossas cidades, nomeadamente das cidades portuárias como Lisboa, é uma forma de combater a desmaterialização das formas e dos conteúdos, da difusão e partilha de informação e consumo da Arte e da Cultura – não se trata de uma atitude retrógrada nem nostálgica, mas de uma atitude de resistência e reinvenção do quotidiano a que a Fundação EDP com grande agrado se associa.

João Pinharanda
(Fundação EDP)

Uma intervenção original, com assinatura portuguesa, da Associação P 28.

10 abril a 10 maio 2015 | Museu da Eletricidade  | Praça do Carvão | Lisboa

Comissários: João Pinharanda e Sandro Resende

Cátia Marcelino

Fonte: Fundação EDP, P 28

 

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