jeff

Música, Saber Viver

Jeff Buckley cheio de Grace rogai por nós pecadores

18 Nov , 2016  

Sim, porque ele já não está entre nós, e Grace é mais do que uma oração ou mantra. Jeff Buckley na sua curta carreira concebeu um albúm que é para mim e para muitas pessoas, uma verdadeira obra prima, qualquer coisa que transcende tudo o que já tinha sido feito até ali e que assim se mantém até aos dias de hoje, o albúm de uma vida.

 

nos-anos-90-o-mundo-recebeu-grace-de-jeff-buckley.html

 

 

A maneira genuína com que Jeff se entrega à sua música, envolve-nos enquanto ouvintes, num tamanho bálsamo para o nosso íntimo. Pessoalmente o músico e a sua obra dizem-me muito. Tomei contacto pela primeira vez com o seu trabalho numa fase ainda ingénua e jovem da vida, graças à minha grande amiga Xana, que me partilhava sempre umas pérolas musicais, sem dúvida esta foi uma das mais raras e de maior qualidade. O carácter deprimente e melancólico de algumas das músicas e a sua interpretação eram maravilhosas, literalmente música para os meus ouvidos. Encarava-as como tristes e até um pouco trágicas, tal como o destino do seu autor e intérprete. Presença assídua numa das minhas Rádios de eleição, a Radar, logo, também na minha vida.
Voltei a reencontrar-me em força com Jeff Buckley e Grace em particular, numa fase mais madura. Marcou-me imenso, de uma maneira tão intensa como apaixonada, igualmente intimista, mas desta vez partilhada a dois corações.

 

201511121341_Jeffbuckley

 

Lilac Wine, é sem dúvida uma das minhas preferidas desse albúm, a antitese de uma ode ao amor, que nos deixa embriagados, um original de James Shelton de 1950, foi também interpretado de forma igualmente brilhante por Nina Simone.

Lover, You Should’ve Come Over, So Real e Mojo Pin são igualmente deliciosas, num albúm onde é impossível dizer que algo é mediano, incluindo a sua interpretação de Hallelujah.

“O Jeff era a personificação da paixão e pode também ser descrito como maníaco-depressivo, o que fez dos altos dele muito altos e dos baixos dele muito baixos. A música era a paixão dele, assim como as relações amorosas, nas quais ele se envolvia muito. Quando falavas com ele sentias-te a pessoa mais importante e ele ouvia as pessoas muito intensamente. Era um ser muito presente e consciente”. *

E isso sente-se em tudo o que ele fez. Se hoje fosse vivo, Jeff Buckley faria 50 anos. Perdemo-lo para sempre em 96, mas da sua herança e partida prematura, ficam para sempre as músicas e interpretações incomparáveis. É disto que são feitas as lendas.

Obrigada por tudo Jeff , we love you and we are not afraid, to love you… <3

Cátia Marcelino

&

 

* testemunho Mick Grondahl, baixista da banda que deu à luz Grace, na Blitz.

 
 

Comments

comments

,