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Viagens

Memórias de uma viagem passada #3 | Praga

15 Jul , 2016  

Em Fevereiro passado o Tezturas andou por Praga. “Oh Praha!” Há tanto tempo que queria conhecer a República Checa e a sua capital fantástica. Depois de ler Kundera e a “Insustentável Leveza do ser”, o imaginário de Kafka, a arquitectura Checa, tudo me despoletava uma enorme vontade de visitar o país, mas nunca se proporcionava e outras capitais europeias se atravessavam à frente. Eis que de prenda de Natal recebi o enorme presente, 4 dias em Praga! Como se não bastasse, a fazer escala em Amesterdão incluíndo uma noite na capital Holandesa. Quem tem um marido destes tem tudo. Obrigada a ele!

E lá fomos nós, felizes da vida, para uma merecida escapadinha. Tivemos alguma sorte, chegámos após a queda de um nevão, pelo que a cidade estava belíssima, totalmente branquinha.

Praha

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Ficámos num hotel coladinho à Staroměstské náměstí, ou Praça da Cidade Velha e sem dúvida foi a melhor decisão que tomámos na escolha do alojamento, esta localização deu-nos imensa liberdade para nos deslocarmos a pé, de dia e noite a alguns sítios estratégicos.

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A cidade é relativamente pequena e apesar de ter uma excelente rede de transportes, (os bilhetes são super baratos), só usámos metro em duas ocasiões, pois é fácil caminhar para todo o lado. E afinal, é a melhor maneira de se conhecer uma cidade.

 

Dia 1 – Após o check in, por volta das 16h, fomos procurar um sítio para almoçar. É fácil comer fora de horas em Praga, deambulámos um pouco pela zona do bairro judaico e fomos parar a um típico bar checo, onde serviam alguns dos pratos mais comuns da gastronomia tradicional. Por esta hora, já vários grupos bebiam a bela cerveja checa.
O meu marido pediu joelho e porco guisado, e eu optei por bife de veado com salada.

 

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Depois das baterias recarregadas, fomos dar mais uma volta pela zona da Cidade Velha. Tinha ficado deslumbrada à chegada, quando vi Praça da Cidade Velha pela primeira vez, ainda a caminho do hotel, e no passeio seguinte o nível manteve-se. A cidade caracteriza-se por ser antiga, mas extremamente bem conservada. A imagem dos edifícios é limpa, por todo o lado se respira história e é visível o cuidado em manter as características originais de tudo, (bem ao contrário do que se faz em Portugal) e por isso, simplesmente por isso, tudo tem charme e é bonito.

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Após uma ida à zona mais comercial, ao Palladium (centro comercial) comprar algumas coisas que precisávamos (desvantagens de viajar com bagagem de mão), regressámos à Praça da Cidade Velha, mais precisamente à Torre do Relógio Astronómico, para ver o Orloj. Onde fizemos questão de às 19:00 assistir ao fantástico ritual que acontece a cada hora certa. É impressionante o significado e simbologia por detrás deste “relógio” medieval, além do pequeno espetáculo que atrai multidões àquele espaço aberto, que por breves momentos se pode tornar ínfimo, já que é uma das principais atracções turísticas. E vale a pena, é um “must do” em Praga.

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Dia 2 – Começámos o dia a atravessar a famosa e belíssima ponte Carlos ou Karluv Most. Apesar de estar completamente pejada de turistas, (quem conseguir ir muito cedo pode evitar o movimento aproveita melhor o passeio), as 30 estátuas barrocas continuam a ocupar o lugar de destaque.

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Ao longo deste percurso encontramos alguns artistas de rua, a exibir o seu trabalho, ou a tocar o mais variado estilo de música. Além da ponte, que vale por si só, a vista é soberba, dali temos uma primeira perspectiva do Castelo e do tranquilo rio Vltava. A foto da praxe é obrigatória.

 

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Prosseguimos até à praça Malonstranské. Seguimos até à Rua Nerudova. Aí podemos observar umas fachadas belíssimas, cheias de pormenores interessantes, nomeadamente a simbologia por cima de algumas portas dos edifícios, que estavam ligadas aos ofícios e negócios que eram praticados pelas famílias que habitavam essas casas. Foi também nesta rua que nasceu Kafka.

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Neste dia evitámos o castelo pois estava muita gente, para assistir ao render da guarda (à la Buckingham Palace), e seguimos para a igreja do Loreto e o mosteiro de Strahov. No restaurante/bar com miradouro logo ali ao pé, onde tirámos a foto abaixo, começámos a nossa caminhada pela imperdível colina Petrin.

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Estava reticente em fazer a caminhada, porque me parecia muito extensa, mas o meu super-homem, disse que não havia o que temer, e lá fomos. E vale muito a pena, a paisagem é única, principalmente com o bónus da neve. Além disso estava um dia de sol maravilhoso, seria um desperdício não tirar partido disso, e aproveitar ao máximo para explorar ao ar livre.

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Subimos até à zona onde se localiza a “torre eiffel” de Praga e outras atracções, igrejas, etc. prosseguimos, até começar a descer, e também deste lado a cidade é muito bonita.

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Atravessámos a ponte Legii, por cima da ilha, contemplamos à nossa esquerda a Ponte Karluv, e seguimos até ao Teatro Nacional, obra neo-renascentista. Deambulámos por ali, a tirar umas fotos, fiquei pasmada com o Nová Scéna, e a sua fachada surpreendente com mais 4 mil blocos de vidro.

 

 

A fome já apertava, e decidimos almoçar no Café Louvre. É muito agradável e bonito no seu interior, pelo que li, um sítio antigo, onde passaram muitas figuras importantes da história, Kafka e Einstein, por exemplo. Acabámos por pedir, eu, noodles com vegetais salteados e o meu marido, um prato de carne, lombo de porco, que vinha acompanhado com imenso molho (apanágio na gastronomia de Praga), coberto com doce, um género de chantilly e umas fatias de pão, como guarnição.

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Tudo com óptimo aspecto e saboroso. A massa via-se claramente que trazia ingredientes frescos e cozinhados no momento, o que me agradou. As várias salas estavam cheias, e mesmo assim o serviço foi célere. Por fim tomamos café e comemos uma deliciosa tarte de maçã. Apesar de ser turístico, recebe muitos locais, o que não o torna demasiado fajuto, tem pormenores autenticamente originais bem enquadrados, que se destacam pela sua antiguidade na decoração actual e agradou-me também a vista rua. Os preços são óptimos, face à qualidade e ao serviço. A simpatia é sem dúvida um cartão de visita.

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A partir daqui fomos explorar a cidade Nova. Destaca-se a Praça Venceslau, um grande espaço público, onde ficam as principais lojas e hotéis. Também palco histórico, quando em 1969 Jan Palach, um jovem universitário, imolou-se pelo fogo, como forma de protesto pela perda de soberania efectiva da então Checoslováquia. Mais precisamente no topo da praça, onde fica o Museu Nacional, que infelizmente estava em obras. Portanto, acabámos só por passear. Fomos ainda ver a Estação Antiga, a Ópera e todoa aquele conjunto de edifícios. Voltámos a descer e “perder-nos” pelas ruas da Cidade Nova. Vimos ainda, a Sinagoga, que é como um Oásis de cor naquela área um pouco mais escura e triste.
Por fim, observámos um loooongo pôr do sol, sentados à beira do rio Vltava, a cidade também é muito romântica.

 

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Dia 3 – Visita ao majestoso castelo de Praga. Que na realidade, não é um castelo no conceito a que estamos habituados. Além de ser mais extenso na forma horizontal do que vertical, como é mais comum, e da sua construção ser de época distinta, no fundo é um complexo de edifícios importantes, construídos em várias épocas, que no seu conjunto fazem esse “castelo.” De todos, os elementos, a Catedral de São Vito é mesmo o factor “Uau!”. Uma estrutura gótica do séc. XIV de uma imponência ímpar, com detalhes fascinantes, no interior e exterior, é de visita obrigatória.

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Em seguida descemos para o lado oeste e já que era um dia mais frio e menos soalheiro, contemplamos mais um dos belos ângulos da cidade, noutra esplanada, em cima de uma vinha, a poucos metros do castelo, enquanto nos aquecíamos com um grog, rum quente.

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Continuamos a descer pelos jardins que circundam o castelo até à parte baixa e fomos visitar o John Lennon Wall, que apesar da simbologia, me deixou totalmente decepcionada.

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Ali perto, encontrámos o bistro Cukrkávalimonáda, que nos pareceu indicado para tomar o almoço. Um espaço jovem, decorado num estilo contemporâneo, onde servem refeições ligeiras, brunch, e têm boas opções de pastelaria. O normal dentro dos preços habituais de Praga.

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Em seguida, fomos ter até Kampa Park, onde fica o museu do mesmo nome, em mais um agradável espaço verde, onde se encontram algumas esculturas, restaurantes e áreas de lazer e recreio. Prosseguimos sempre pela margem do Vtlava, até atravessá-lo, com o objectivo: Casa Dançante da autoria de Frank Ghery. E que pena, foi mais uma decepção, não que tivesse grande expectativa, mas tinha que ir vê-la. Notam-se os sinais do tempo, e não brilha como nos postais, é bem mais pequeno do que esperava.

A Arte Nova também está presente nos mais variados pormenores. A cidade esconde pequenos tesouros nos mais inesperados sítios.

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À noite depois de jantar, fomos ao Jazz. A capital Checa é também conhecida, por isso, uma oferta brutal de clubes de jazz. Acabámos por ir ao Jazz Club Ungelt. Na Cidade Velha, fica num género de catacumbas, onde o ambiente é de jazz e soul, super intimista. Adorámos o serão na companhia da cerveja checa.

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Dia 4 – Este foi o dia mais dedicado à cultura.

Ao sábado a Praça da Cidade Velha fica ainda mais movimentada, e mesmo ali, a poucos passos do Hotel, visitámos um dos núcleos da National Gallery, o Kinský Palace.

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Foi uma agradável surpresa, uma colecção de arte contemporânea, bem interessante, além da pintura japonesa, tinha algumas obras cubistas, incluíndo Picasso, e este seu auto-retrato.

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Pela tarde vagueámos mais um pouco, encontrámos um Mercadinho de produtos tradicionais, um local onde é fácil encontrar um souvenir mesmo típico. As marionetas são uma peça tradicional aqui.

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O passeio durou pouco, pois o tempo não estava a favor, uma ventania enorme, mas só quando começou a chover a sério, decidimos abrigar-nos, no simpático Pražská Čokoládová Manufaktura, especialistas no fabrico de chocolate, onde provámos o chocolate quente, para aquecer e recuperar energias. Delicioso!
 
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À noite, foi mais um dos momentos altos da viagem. Diria até um dos principais objectivos que nos levou até lá. Ópera. Fomos assistir à Aida de Verdi, na State Opera. Uma sala de espetáculos exuberante, típica da época em que foi construída, onde se vive toda a pompa que exige este tipo de circunstância.
 
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As pessoas vestem-se de maneira formal, vestido e blazer, e bebe-se vinho, e espumante servidos em copo de vidro. Adorei, por mim fazia uma noite destas todos os meses. Mas cá na “tugalidade” a realidade é outra. Para não falar do espetáculo, com cenários grandiosos, figurinos a rigor, e todo uma encenação que nos deixou extasiados. Foi mesmo maravilhoso, mais de cem figurantes em palco, é qualquer coisa.

Como a ópera começou cedo, jantámos a seguir, no restaurante Staromestská, em plena Praça da Cidade Velha, apesar de turístico, dada a sua localização, tem vários pontos a favor, a simpatia, o preço e o menu em Português! Que mimo, ainda que com inúmero erros, vale a intenção. Chegámos já passavam das 22h, e ainda assim comemos e bebemos lindamente. Também é indicado só para ir virar umas cervejas.
 
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O dia a seguir foi fazer as malas e partir, com uma nostalgia tremenda, que me partiu o coração. Das viagens mais longas numa capital europeia, e ainda assim, a que mais saudades me deixou, ainda nem tinha levantado vôo.
 
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Ficou tanto por conhecer, tantos recantos por descobrir. Praga seduziu-me, apaixonou-me e deixou-me mesmo a bater mal. Tenho que voltar, é certo.

Cátia Marcelino

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